A soberania do conteúdo nas estratégias de comunicação corporativa atualmente só pode ser motivo de comemoração para centenas de jornalistas que estão “desse lado do balcão”. O nome pode ter mudado, agora storytelling é o termo da vez, mas no fundo estamos falando da boa história. Papo de jornalista! Nossa formação na busca da história curiosa, da pauta interessante e do personagem cativante nos coloca numa posição privilegiada nesse cenário. Viva! As histórias que nós sempre apuramos e escrevemos se provam hoje como pilar central das estratégias de comunicação de marca.

O mais incrível desse momento em que a narrativa bem contada e a causa defendida merecem os holofotes é que não basta inventar um conto de fadas. A fonte tem que ser confiável e a pauta autêntica, para que a história contribua de forma efetiva e consistente para a construção da reputação de marca. Mais um motivo para a criação de conteúdo passar pelo crivo jornalístico de uma equipe competente de comunicação. Não querendo provocar os publicitários ou mestres do digital, mas enxergar onde está a pauta e revelar esse conteúdo com emoção e precisão não é tarefa fácil e o trabalho pode se beneficiar da experiência dos jornalistas. Somos treinados para a apuração de conteúdo com ética, precisão e clareza, experimentamos tudo isso em nossas rotinas de trabalho todos os dias.

A informação e o entretenimento desempenham hoje um papel central na relação que o público estabelece com cada marca, ajudam a projetar os valores institucionais de forma mais tangível para as pessoas. Na busca por uma identidade cada marca vai assumindo sua cultura e raízes no conteúdo que quer abraçar – e assim o jornalismo de marca, ou brandjournalism, oferece combustível rico para alimentar o diálogo com os consumidores e outros públicos de interesse das organizações. As possibilidades são infinitas – publicações institucionais e perfis em mídias sociais são apenas os primeiros canais que podem ser explorados para que as marcas contem suas histórias – mas a grande sacada é ir além da escolha do canal e encontrar a linguagem e o conteúdo certos para gerar conversas interessantes ao redor da marca.

O livro “For Love of Country” escrito pelo editor do Washington Post, Rajiv Chandrasekaran, em parceria com o CEO do Starbucks, e o documentário desenvolvido pela Illy com o título "A Small Section of the World", sobre um grupo feminino que criou uma forma sustentável de plantio e negocio na Costa Rica, são duas grandes experiências relevantes no mundo da communicação corporativa. Seu mérito é de tamanha autenticidade que independe da forma de financiamento ou origem da iniciativa, tornam-se obras que ganham vida própria e carregam valores genuínos. Esses branded contents estão ganhando tanta qualidade e refinamento que muitos já estão participando de seleções de festivais e prêmios.

Dentro desse movimento de produzir conteúdo autêntico, verdadeiro e que contribua para a construção da imagem de marca, a navegação entre os diversos meios de comunicação ocorre de forma orgânica. A mensagem que começa a ser trabalhada na mídia proprietária facilmente se desdobra na mídia conquistada (repercussão espontânea nos meios de comunicação) e pode virar tema e embasar de forma mais contundente a mídia paga.
 

Por Beth Garcia
Sócia-diretora da Approach