Lançado há menos de duas semanas, Pokémon Go é mais que o app do momento: já se tornou o maior jogo para smartphones de todos os tempos, acrescentando mais de 11 bilhões de dólares ao valor da Nintendo, sua criadora. Os números são incríveis – os usuários já somam mais de 65 milhões, superando o que serviços como Twitter, Netflix e Spotify demoraram anos para conquistar –, mas nada é mais impressionante que a ressurreição da Nintendo.

Pioneira do mundo dos games, ela teve seu auge na década de 1980 (quem não se lembra do clássico “Super Mario Bros,”?) e não emplacava um sucesso há dez anos, com o console Wii, que, baseado em movimentos reais, agregou um novo público ao mundo dos jogos eletrônicos. E o estouro de Pokémon Go também está relacionado à inovação e à inventividade: desta vez, a empresa japonesa levou o videogame às ruas. Aliando funções como GPS e a câmera do celular a um recurso de realidade aumentada, foi capaz de inserir criaturas virtuais aos cenários reais por onde seus usuários trafegam.

O fenômeno já está impactando o mundo do marketing, com vários estabelecimentos comerciais, como restaurantes, cafés e shoppings, investindo no “módulo de atração”, função que atrai monstrinhos às lojas e, consequentemente, faz com que os jogadores, os “caçadores de Pokémons” – ou seja, consumidores em potencial –, corram atrás. O dono de uma pizzaria americana contou ao jornal New York Post que pagou dez dólares por dúzia de Pokémons, o suficiente para fazer seu negócio crescer 75%.

Acima de tudo, “Pokémon Go”, que deve chegar ao Brasil nos próximos meses, é a prova de que uma ideia simples (combinando personagens antigos e funções que todo celular possui há pelo menos uma década), quando executada com precisão e no timing ideal, é capaz de revolucionar uma marca. Mais do que nunca, criatividade e senso de oportunidade são o segredo de qualquer negócio bem-sucedido.