por Bianca Gomes Sallaberry*

Em 2000, eu tinha apenas 20 anos, cursava Jornalismo e sonhava loucamente com o meu primeiro estágio. Nos murais da PUC-Rio, visualizei uma oportunidade: “Aberto processo seletivo para a Folha Dirigida”. O pouco que eu sabia era que a Folha se dedicava a publicar editais, mas, se estavam precisando de estagiários para a redação, por que não arriscar? Confiante, fiz a prova. Passei. Na entrevista de admissão, a pessoa do RH já me recebeu com um enorme sorriso: “Você entrou para a vaga do caderno de Educação!” Pelo tom de comemoração, encarei que devia ser mesmo uma grande notícia, e até senti uma certa alegria; a sorte devia estar mesmo do meu lado. E de fato estava. Ali começava a se desenhar a minha trajetória profissional.

Foram três anos de Folha Dirigida, mergulhada em editais, entrevistas com personalidades da Educação, eventos do setor, vestibulares. Hoje vejo que foi um período de ouro neste tipo de cobertura. A gente ficava esperando os editais e os resultados oficiais dos exames para publicar edições especiais. As pessoas acompanhavam tudo pelo impresso, nada de internet. Pura emoção nos fechamentos! Tinha leitor esperando do lado de fora da sede do jornal a edição sair, ainda quente da produção. E quando eu dizia que trabalhava na Folha, as pessoas logo perguntavam: "Que legal, Folha de S. Paulo"? E, com um misto de orgulho e alguma ressalva, eu respondia: “Não, escrevo sobre Educação para a Folha Dirigida”. Porque, jovem, dando os primeiros passos na profissão, eu ainda estava tentando entender se escrever sobre Educação era mesmo tão bacana assim...

De lá, vim para a Approach, onde estou até hoje me dedicando a duas áreas que adoro. Comecei a atender contas de Saúde, mas o primeiro cliente de Educação que apareceu por aqui foi a mim conferido; não podia ser diferente. E assim me revezo entre ambos os segmentos... feliz! Nas últimas semanas, fiquei sabendo por uma colega da Approach do lançamento da Jeduca, uma associação criada por jornalistas que cobrem Educação. Anunciada durante o congresso anual da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Jeduca vai apoiar colegas que trabalham com o tema. Fui dar uma olhada e me encantei pelo projeto! Que notícia sensacional!

Rodrigo Ratier, editor da Nova Escola, aponta que 99% dos jornalistas que trabalham com Educação dizem não ter recebido qualquer preparação para atuar na área. Hoje sei que fui premiada por ter começado num jornal de Educação, cercada por profissionais especializados. Mas todos reconhecemos que a cobertura de Educação, ainda mais nos últimos anos, não vem mesmo sendo tratada como deveria e que, além do fechamento de editorias, os jornalistas não são incentivados a trabalhar com o tema. Além disso, na maioria das redações, não existe um editor experiente para trocar ideias com esse repórter, que normalmente cai de surpresa numa cobertura. Na assessoria, a gente sabe quando liga para vender uma pauta e quem está do outro lado é um setorista que não entende muito bem do assunto, por vezes negando algo muito bom por desconhecimento ou inexperiência.

O Jeduca chega com a proposta de ser um canal rápido e acessível a jornalistas de todo o país, divulgando o que está sendo feito pelo Brasil em termos de Política de Educação, discutindo as novas formas de comunicação e estimulando uma cobertura que impacta na gestão pública. Também serão disponibilizados materiais para auxiliar a imprensa na cobertura dos diversos temas dentro da área: guias, reportagens e bastidores de matérias, entre outras coisas. Tudo para qualquer um que se interessar! Eu já me associei, e espero me beneficiar desta rica e promissora rede, mesmo sendo agora da turma do lado de cá, das agências. Afinal, seguimos igualmente empenhados em repercutir temas que valorizem a função social do jornalismo pela busca por uma educação melhor.

*Bianca Gomes Sallaberry é gerente do núcleo de Saúde e Educação da Approach Comunicação.