Por Isabela Germano

O trabalho com comunicação nos dá oportunidades maravilhosas de estar pertinho da cultura do nosso país e poder contribuir para apresentá-la a todo o Brasil. Nos dias 28 e 29 de outubro, fui para Resplendor, em Minas Gerais, acompanhar o jornal O Globo e a TV Globo na pré-estreia da nova série do Canal Futura: “Krenak, vivos na natureza morta”, que mostra o impacto na aldeia, margeada pelo Rio Doce, do rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana. Eu estava, então, no cenário da maior tragédia ambiental do país. Pude compreender a o sofrimento e a luta desse povo.                

A viagem foi longa. Dois aviões e uma estrada, totalizando mais de cinco horas. Chegamos ao município de Resplendor por volta das 16h e de lá seguimos para a aldeia. Como já era esperado, o contato inicial com os indígenas foi um pouco distante, afinal, eles precisam ter confiança em quem está pisando nas suas terras. A intermediação foi feita por meio da diretora Andrea Pilar, que ficou imersa na aldeia durante 28 dias para a produção do programa.

A ideia era projetar os cinco episódios à luz do luar. E assim foi feito. Mas, antes, pegamos a van e fomos até a beira do Rio Doce. Ao longo do trajeto, aquele impacto: a escassez do rio e a desertificação. Que tristeza! Quanta natureza morta e 540 índios afetados. Quando chegamos ao Rio Doce, foi possível notar a tristeza e o luto no olhar de cada índio presente. Ali, eles realizavam seus rituais, pescavam o seu peixe e colhiam as ervas que serviam de remédio para todos da aldeia. Agora, nada mais é possível. 

Conversamos com os líderes da tribo, com os índios que protagonizaram a série e, por fim, tivemos a sorte de conhecer a Dejanira Pajé do “povo do Uatu”, como eles se denominam. O vídeo comemorativo dos 20 anos do Futura abriu a noite, seguido dos cinco episódios da nova série. Após a exibição, tivemos uma roda de bate-papo com a diretora Andréa Pilar e os participantes do filme.

A gastronomia local, como a mandioca e o chá, foi servida para todos os convidados. Crianças com seus rostinhos pintados correndo de um lado para o outro. Índios com o cocar na cabeça e o maracá na mão. A tradicional dança indígena encerrou a noite de pré-estreia. E um único desejo pairando por toda a aldeia Krenak: justiça.

O programa estreia no dia 08 de novembro, às 22h30, no Canal Futura. E nós só podemos agradecer a oportunidade de ter conhecido cada um dos integrantes da tribo Krenak que, apesar do momento difícil pelo qual estão passando, nos deram uma lição de vida e de integração com a natureza.

O rompimento da barragem resultou na morte de 19 pessoas. Os processos ainda estão em curso,  não houve julgamento e ninguém foi preso.