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Cenário Político

1/9/2009

Marina Silva é a dona da bandeira ambiental. E as outras? Por Celso Raeder

A entrevista da senadora Marina Silva no Programa do Jô me deixou preocupado. Em que pese a origem humilde, a linguagem simples e a honestidade expressa no semblante, seu discurso concentrado na questão ambiental soa estranho aos ouvidos da maioria do povo brasileiro.

 

O cidadão bem informado, que compreende o que significa desenvolvimento sustentável - e qual a importância da senadora nesse processo -, cravará o nome de Marina Silva nas urnas sem pestanejar. Ninguém lhe tira essa bandeira.

O problema, é que a ex-petista não se deu conta da armadilha montada para rotulá-la como candidata da Floresta Amazônica, enquanto seus prováveis adversários debaterão sobre temas como emprego, habitação, segurança, alimentação, crescimento econômico, saúde e educação, entre outros assuntos compreendidos com facilidade pela massa.

 

Nos jornais desta terça, por exemplo, todas as manchetes serão dedicadas às regras anunciadas pelo governo para a exploração do pré-sal. Se a senadora Marina Silva e seus auxiliares não provocarem a mídia, para que ela entre nessa e em outras discussões, acabará confinada às pautas onde sua opinião é para lá de conhecida.

 

Ora, se as pesquisas apontam Marina Silva na briga pela sucessão do presidente Lula, não deveria ela ser procurada pela imprensa para falar sobre o petróleo pré-sal? Serra, Dilma e Aécio, os principais concorrentes de Marina na corrida presidencial, tiveram microfones abertos. Marina, vai por mim, contrate uma assessoria de comunicação com urgência. Que tal a Approach?

 

Marina Silva não entrou no PV para brincar. Esta é, sem dúvida, a maior chance de os verdes avançarem politicamente no país. Mas é bom ficar atento, deixar o oba-oba da mídia em segundo plano, e começar a trabalhar. O jogo é pesado e muitas vezes a derrota acontece nos detalhes.


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Comentários

  • Vitor Carletti | 1/9/2009 às 21:50:44
    A possível candidatura de Marina Silva à Presidência da República no ano que vem mostra como a jovem democracia brasileira evolui a cada quatro anos. A bandeira do desenvolvimento sustentável, defendida pela ex-ministra do Meio Ambiente pode ser um divisor de águas na corrida eleitoral. Contexto semelhante ocorreu em 2006. Os brasileiros puderam escolher, dentre outros, Cristovam Buarque (PDT), candidato que defendeu em todos os programas eleitorais a importância da educação. Marina Silva, no entanto, não pode cometer o mesmo erro que Cristovam Buarque. Ser conhecida como a "candidata de uma tecla só" é um erro de marketing eleitoral. É possível que a ex- ministra use o discurso do desenvolvimento sustentável para falar sobre outras temáticas como economia, educação e emprego. A busca da simplicidade discursiva pode ser uma saída para Marina conquistar a mídia e boa parte do eleitorado, embora seja inicialmente conhecida como a candidata da Amazônia.

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