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Cenário Político

5/11/2009

O prestígio das páginas de opinião



Páginas de opinião estão entre as mais lidas nos jornais diários

Toda vez que envio um artigo ao editor da página sete do Globo, José Casado, penso na pilha de textos que ele recebe, diariamente. O jornalista, que também se dedica com competência na apuração de matérias especiais, lê cada texto que cai em sua caixa de emails, selecionando aqueles que serão publicados na página mais desejada por formadores de opinião.

 

Na política, ter um artigo assinado no Globo, JB, O Dia, Estadão, Folha, entre outros veículos de prestígio e grande circulação, possibilida ao público conhecer a opinião dos seus representantes sobre determinados assuntos.

 

O deputado estadual Domingos Brazão, cliente da Approach, recentemente teve um artigo publicado no Globo, onde critica o desperdício de gás na Bacia de Campos. No dia seguinte, no Google, vários sites reproduziram o texto do parlamentar, demonstrando o interesse da sociedade sobre o assunto.

 

Isso se torna possível pelo grande prestígio das páginas de opinião dos principais jornais brasileiros  

 

Tocha do desperdício

 

 Domingos Brazão 
O Globo - 24/10/2009 


 
A tocha olímpica já está acesa no coração dos cariocas. Um clima de euforia e otimismo tomou conta da cidade e do país, e o Rio renasce como capital do turismo, da cultura, e agora também do esporte. O presidente Luís Inácio Lula da Silva anunciou investimentos da ordem de R$ 28 bilhões até 2016, dinheiro suficiente para modernizar a estrutura de transportes, despoluição do complexo lagunar de Jacarepaguá, entre outras intervenções estabelecidas junto ao Comitê Olímpico Internacional.

 

Longe dos olhos das pessoas, no entanto, a centenas de quilômetros mar adentro na Bacia de Campos, arde a tocha da vergonha e do desperdício. Dia e noite, todos os dias, 10 milhões de metros cúbicos de gás são queimados pela Petrobras, um prejuízo diário de R$ 5 milhões para os cofres estaduais. Numa conta rápida, até 2016 a estatal torrará R$ 11 bilhões, pouco menos da metade dos recursos públicos que se pretende investir na cidade até os Jogos.

 

A Petrobras é medalha de ouro na modalidade arremesso de dinheiro na atmosfera. Esse desperdício ocorre porque a estatal produz a maior parte do gás associada à extração de petróleo.

 

Com a entrada de duas novas plataformas, ainda este ano, na Bacia de Campos, mais quatro milhões de metros cúbicos de gás, que poderiam gerar emprego e renda no Rio, serão queimados impunemente. No momento em que o mundo se preocupa com o uso racional de matrizes energéticas, as labaredas que iluminam o mar mergulham o estado na escuridão do atraso e da falta de competitividade.

 

O gás produzido em Campos é um bem do povo. A decisão de queimá-lo, para manter o equilíbrio comercial entre as fontes de energia, não pode ser definida com foco na política de resultados e dividendos da Petrobras. Não podemos nos dar ao luxo de diariamente torrar R$ 5 milhões, quando há um mercado consumidor em expansão.

 

O Rio de Janeiro está sob ataque permanente daqueles que defendem a redistribuição dos royalties do petróleo.

 

Sofre com a possibilidade de não receber a devida contrapartida financeira com o óleo extraído da camada pré-sal.

 

Amarga, ainda, enorme prejuízo com a lei que estabelece a cobrança do ICMS de energia na ponta, e não na origem.

 

A união entre os governos federal, estadual e municipal, fundamental para trazer as Olimpíadas para o Rio, deve avançar no sentido de deixar ao nosso estado um legado maior do que as obras previstas até 2016. É preciso assegurar o exercício pleno de todas as nossas vocações. A geração de energia é uma delas, e a Petrobras não tem o direito de queimar nossas riquezas.


 
 


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