Nos Estados Unidos o empréstimo social já existe há mais de 25 anos. Mais de US$175 milhões já foram emprestados para quase 10 mil organizações. No Reino Unido, existe até um banco especializado no setor social, o Charity Bank, em Londres. No Brasil, esta modalidade de crédito ainda é inovadora, mas já possível. Há cerca de um ano a sitawi criou um fundo social, que oferece empréstimos entre R$ 100 mil e 400 mil para organizações do terceiro setor que já buscam a autossustentabilidade através da geração de receita com produtos e/ ou serviços.
Com juros abaixo do mercado, média de 1% ao mês, a sitawi já conseguiu alavancar os negócios de instituições premiadas. Fazem parte do portfólio de clientes a badalada Daspu que viu seus resultados se multiplicarem ao aprimorar sua loja virtual e redefinir novas estratégias de venda, a paranaense Aliança Empreendedora, que, apesar de ter um contrato com o Wal Mart para o fornecimento de bolsas PET recicladas, não iria conseguir atender a alta demanda da rede de supermercados, e o Caspiedade, que fortaleceu seu atendimento a mais de 1.500 famílias na periferia de São Paulo e está agora expandindo seus negócios sociais.
A sitawi é uma organização sem fins lucrativos e destina 100% de seus recursos para empréstimos sociais. O fundo é exclusivamente formado por doadores como a Fundação Avina, Fram Capital, Grupo Stratus, Halloran Philanthropies, entre empresários anônimos, que periodicamente recebem relatórios com o resultado de seus investimentos.
Segundo o CEO da sitawi, Leonardo Letelier, a opção do crédito social é fácil, ágil e mais impactante, tanto para o doador como para a instituição. “Muitos não gostam de fazer doações, pois não vêem os resultados do investimento social ou temem ter que repetir o investimento constantemente para manter o resultado. Com o nosso Fundo Social, o doador não só consegue acompanhar seu investimento através de relatórios como também multiplicar seu impacto social ao longo do tempo e por diversas organizações, uma vez que sua doação entra no fundo, o recurso é emprestado e quando devolvido, é emprestado novamente”. Ainda segundo Leonardo no Brasil há quase 100 vezes mais recursos para crédito do que para doação – cerca de R$1 trilhão em ativos contra menos de R$10 bilhões ao ano em doações – e as organizações que se estruturarem para utilizar esse tipo de recurso podem ter muito mais impacto social.
Para as instituições, a sitawi oferece menos burocracia do que os bancos. Seguindo os pré-requisitos que levam em conta critérios como o impacto social, credibilidade da instituição e de seus líderes, visão estruturada da situação atual do negócio social, as organizações conseguem o crédito de forma muito mais ágil. Além disso, as organizações que fazem empréstimos com a sitawi recebem um aconselhamento estratégico para uma melhor eficácia no uso do recurso. “É bom para a organização e para a sitawi, pois funciona como uma garantia extra de que receberemos o dinheiro de volta. Ao redor do mundo, a taxa de inadimplência é quase nula, na sitawi é zero”, diz Leonardo.