Diversidade na veia

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Por Germana Costa Moura

Nas últimas semanas a pauta da Diversidade, que sempre foi importante para mim (como cidadã e como empresária), invadiu de vez a minha vida.

Estamos trabalhando na Approach para o festival #Agora, que levou dezenas de debates sobre feminismo (ou feminismos) ao Centro Cultural São Paulo, neste fim de semana, promovido pela plataforma #AgoraÉQueSãoElas. Na terça à tarde, eu estava no lançamento do Relatório de Sustentabilidade da White Martins, empresa que é nossa cliente há dez anos e para quem acabamos de fazer o Relatório de Sustentabilidade 2017-2018. A White Martins tem como meta até 2020 superar a média da indústria química em diversidade e investir US$ 1,5 bilhão em mulheres, minorias, pequenas operações e economias menos favorecidas. É um privilégio testemunhar isso tão de perto. O relatório de sustentabilidade da White foi o sétimo que ajudamos a produzir somente este ano.

Na quarta, eu estava na sede da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), de manhã, em evento promovido pela Aberje sobre Comunicação por Causas — outro tema que nos especializamos desde a criação da Juntos, o braço para Causas, Propósito e Sustentabilidade da Approach.

À tarde, mais diversidade e mais aprendizado. Era hora de participar da Câmara Técnica sobre Temas Sociais do CEBDS, nosso cliente para quem estamos produzindo a segunda versão do Guia de Comunicação e Sustentabilidade, uma das mais importantes publicações do setor no Brasil. Ali, pude ver de perto pessoas muito sérias e qualificadas de empresas como Alcoa, Eletrobras, Itaú, Vale e Equinor atuando juntas para gerar mais dados e formas de comunicar seus programas de inclusão e promoção da diversidade.

Entre os temas apresentados pelo CEBDS, está a criação de um banco de fotos com modelos mais brasileiros e diversos — afinal todos os bancos de fotos têm grande maioria de modelos brancos e com traços de outros países, sobrando muito pouco espaço para os tipos latinos, pardos e negros como vemos em nosso país. O Conselho também lançou o Guia de CEOS sobre Direitos Humanos, com assinatura e endosso de mais de 80 empresas, inclusive a Approach.

Nada disso acontece por acaso. O que estou contando foi vivido em dois ou três dias, mas é algo que está ocorrendo no mundo inteiro, todos os dias, nas grandes corporações e mesmo empresas menores, nas cidades, nos governos e nas organizações da sociedade civil. Basta dizer que, já na sexta-feira, milhares de estudantes estavam em manifestações pelo mundo em alerta pelo clima. O movimento tem como uma das líderes a jovem ativista ambiental sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que desde o ano passado organiza protestos pacíficos de estudantes, às sextas-feiras, com o nome de "Fridays for Future" ("sextas pelo futuro"). 

Com sua ação, Greta também une o feminismo à pauta ambiental, mistura que também está presente nos estudos da professora de Yale Alyssa Battistoni, que veio ao Brasil para ministrar uma aula no Festival Agora É Que São Elas.

Voltando ao meu quintal, até onde consigo alcançar pela lente do trabalho que estamos desenvolvendo na Approach, posso dizer que a promoção da Diversidade hoje está entre os temas estratégicos de nossos clientes, da mesma maneira que a água ou a redução do desperdício de energia passaram a estar uns dez anos atrás. As empresas estão recrutando melhor e tentando eliminar as enormes barreiras que ainda existem para que as mulheres alcancem os cargos mais altos (esse, aliás, foi tema do livro “Mulheres na Liderança”, da editora R.ED).

Fora das empresas, entre as organizações da Sociedade Civil, vimos altas doses de criatividade, empreendedorismo e engajamento no Festival #Agora, com mesas de debates, oficinas, performance, poesia, cinema e muito mais. Um dos momentos que mais emocionaram foi a palestra de Preta Rara, historiadora e rapper, que falou sobre o seu livro “Eu, empregada doméstica” (Ed. Letramento). “Resolvi escrever para mostrar essas histórias, assim como a minha, a da minha mãe e a da minha avó. Trabalho doméstico é hereditário, para as mulheres pretas”, diz ela.  No domingo à tarde, também vi a jornalista Carol Barcellos mediando a mesa sobre Mulheres e Esporte, para falar de como esporte é realmente transformador e ajuda nessa causa. Isso em um evento que teve ainda Marina Silva, a socióloga Jaqueline Pitanguy e outras mulheres emblemáticas discutindo Mulheres e Poder. O tema tão importante ganhou destaque na GloboNews.

Tudo isso na semana mais animada do ano. É diversidade na veia, e que ela nunca mais saia de circulação!

Patricia Fiasca