A reinvenção do Media Training no mundo digital

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Por Bonança Mouteira e Germana Costa Moura

Treinar o porta-voz somente para falar com a imprensa e enfrentar a câmera e o microfone das TVs é coisa do passado. Diante da força do Twitter e outras redes sociais, o media training precisou ser reinventado para abranger o mundo digital. As áreas de Comunicação já não conseguem filtrar quem “fala” pela empresa e em que momento. Todos estão expostos, em tempo real, arrastando junto as organizações e suas marcas. Uma ampla conscientização e o aprendizado sobre o poder das redes sociais é o mínimo que se espera de um Media Training atual. Isso é só o começo.

As redes sociais e a gigantesca exposição que proporcionam misturou o privado e o profissional de tal maneira que é praticamente impossível detectar a tênue linha que separa o CPF do CNPJ. O resultado é que todos dentro de uma organização são potenciais porta-vozes e “fonte” de informação, facilmente acessíveis a buscá-la em publicações, comentários, fotos e vídeos disponíveis no mundo infinito na web. Não à toa lemos cada vez mais notícias como essas:

Executivo é demitido após publicar comentário misógino no Twitter” (2018)

"Executivo é demitido após fazer piadas sobre demissão em massa de colegas" (2015)

James Gunn é demitido de Guardiões da Galáxia por posts antigos no Twitter” (2018)

A lista é interminável e alguns episódios ajudam a alertar quem ainda não está atento a essa nova realidade.

Mas sem conclusões apressadas. As redes sociais vieram para ficar e até os mais tímidos arriscam um post, uma foto, um like. Brigar contra isso é inútil e antinatural. Os medias trainings se converteram em uma ferramenta ainda mais poderosa na preparação de executivos ou políticos. Na versão atual, o treinamento precisa abranger a preparação do porta-voz para qualquer situação de exposição pública ou privada. Sim, privada também! Da reunião de pais da escola à assembleia de acionistas, do casamento do irmão a reunião de associação de classe, todas as situações são potenciais oportunidades para transmissão das mensagens da empresa ou, de forma mais sutil, entregam um pouco da sua personalidade, valores, conceitos éticos e visão de mundo.

Cada contato com o público (externo e por que não interno?), significa um espaço para colocar mais um tijolinho na lenta construção da reputação. Ou um risco para destruí-la. Ao final, o que conta hoje, assim como ontem, e também amanhã, é a reputação. Nos velozes tempos atuais, o Google não esquece nada e o print screen virou prova até em processo judicial. Então, cabe a nós da Comunicação ajudar as equipes a fazer bom uso da imagem, dos dados e das palavras, seja para a grande emissora de TV seja num resumo de 140 caracteres. Um trabalho permanente, que não cabe apenas um media training pontual, mas já é um começo.

Patricia Fiasca