Ética e demissões: como as empresas estão reagindo?

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Por Germana Costa Moura, sócia-diretora da Approach

Assédio moral, indícios de corrupção, racismo. Nada disso é mais aceito no mundo corporativo e as empresas se esforçam para aumentar a régua nas suas exigências de ética e compliance. Os desvios éticos já são a primeira causa de demissões de altos executivos, segundo um estudo da PwC, que mede o índice de rotatividade nas 2,5 mil maiores empresas globais de capital aberto. Temos uma essência das normas, valores e padrões que estão sendo observados por todos e que devem ser levados em conta cada vez mais. Reputações estão em jogo, são novos tempos.

Divulgado na última quarta e reportado pela Bloomberg, o estudo da PwC mostra que pela primeira vez em 19 anos de pesquisa, os desvios éticos causaram a demissão de 39% dos executivos analisados. Em 2008, a primeira causa das demissões eram os problemas econômicos, seguidos por conflitos com o Conselho de  Administração. Dez anos depois, em 2018, a falta de ética chega ao topo do ranking. Quem diria?

E como as empresas estão reagindo? O mundo exige novos líderes, cabeças modernas. Consumidores não aceitam as empresas com as quais não se alinham mais. Reputação não é simplesmente um conceito — ela gera valor. Isso numa era que tudo pode ser denunciado nas redes sociais, adivinhe o resultado! Falhas são expostas e pedidos de desculpas são cada vez mais comuns. As empresas estão atentas à escuta, acolhendo mais as críticas. É a hora e a vez da transparência, do diálogo, da boa comunicação. 

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Há hoje todo um movimento das empresas para demonstrar e comprovar o que se tem feito internamente no campo da ética e do compliance. É preciso demonstrar à sociedade cada ação empregada para melhorar seus indicadores. Os dados são lidos com lupa por bancos, analistas de investimento, entidades de classe e associações de consumidores ou movimentos sociais. A busca por essa transparência exige também um olhar nosso, dos profissionais de comunicação.

Nossos clientes, cada vez mais conscientes, lançam seus Guias de Ética, Portais de Transparência, Relatórios de Sustentabilidade ou publicam suas políticas internas de Reputação e de relacionamento com determinados grupos da comunidade. Somos também convidados a disseminar esses valores por meio das campanhas de comunicação interna. Criamos uma diretoria na Approach unicamente voltada para a Reputação tamanha a importância desse tema na comunicação.

Vemos também as áreas de Comunicação de nossos clientes trabalhando lado a lado com o Jurídico, pois atender a lei hoje é o mínimo. É preciso estar sintonizado com a demanda da sociedade. Os CEOs não deixam o momento escapar e estão buscando se aprimorar. O Cebds (Conselho Empresarial Brasileiro do Desenvolvimento Sustentável) ao qual a Approach é associada, lança importantes publicações como Guia de CEO para Direitos Humanos, em fase de elaboração.

Tudo isso é bem-vindo o movimento está apenas no começo. Uma atitude mais empática e a transparência são requisitos fundamentais. É preciso olhar não apenas para o resultado das empresas, mas também para o seu público e os valores éticos da sociedade. Nós da comunicação não podemos ficar de fora. Cabe a nós, com a nossa sensibilidade e mensagem certa, educar os públicos e disseminar esses valores.

Patricia Fiasca