Stakeholders: o que são, exemplos e sua importância

Sabe aquela ideia de que uma empresa funciona sozinha, do portão para dentro? Pois é, isso ficou no passado. Hoje, entender quem são os stakeholders é uma peça-chave para qualquer negócio que queira crescer de forma inteligente e duradoura.

Mas afinal, o que significa stakeholders? E por que esse termo aparece tanto em reuniões, relatórios e estratégias de comunicação? Neste artigo, vamos explicar tudo, do conceito aos exemplos práticos, passando por dicas para mapeá-los e gerir essa relação da melhor forma possível.

O que é stakeholder? Conceito e origem do termo

A palavra stakeholder vem do inglês e junta duas ideias: stake (interesse) e holder (quem detém). Ou seja, é quem tem interesse direto ou indireto em tudo o que acontece numa empresa.

Pode parecer abstrato à primeira vista, mas pense assim: se a sua marca toma uma decisão importante hoje, seja lançar um novo produto, mudar de sede ou alterar preços, quem seria impactado por isso? Essas pessoas, grupos ou instituições são os seus stakeholders.

O termo ficou mais popular a partir dos anos 1980, com os estudos do professor Edward Freeman. Ele defendia que o sucesso de uma empresa não depende apenas dos lucros para os acionistas (os famosos shareholders), mas da relação com todos os públicos envolvidos no ecossistema do negócio.

Em resumo: stakeholder é qualquer parte interessada nas atividades de uma organização. E essa lista vai muito além dos clientes.

Quais são os principais tipos de stakeholders?

Nem todos os stakeholders são iguais, e nem deveriam ser tratados como se fossem. Para facilitar a gestão e a comunicação com cada grupo, os stakeholders costumam ser divididos em duas grandes categorias: internos e externos.

Stakeholders internos

São aqueles que estão dentro da estrutura da empresa ou têm um envolvimento direto com as operações diárias. Entre eles, podemos destacar:

  • Colaboradores: quem coloca a mão na massa e faz a empresa acontecer.
  • Gestores e líderes: os responsáveis pelas decisões estratégicas.
  • Sócios e acionistas: quem investe no negócio e espera retorno financeiro.

Estas pessoas vivem o dia a dia da empresa e têm um olhar muito mais próximo sobre os processos, os desafios e os resultados.

Stakeholders externos

Já os externos são aqueles que estão fora da organização, mas ainda assim têm um interesse legítimo no que ela faz (ou deixa de fazer). Exemplos:

  • Clientes e consumidores: a razão de ser de qualquer negócio.
  • Fornecedores e parceiros: peças fundamentais na cadeia de produção e entrega.
  • Órgãos reguladores: garantem que tudo esteja dentro da lei.
  • Comunidade local: impactada direta ou indiretamente pelas atividades da empresa.
  • Imprensa, ONGs e influenciadores: influenciam a reputação e a percepção pública.

Percebe como a rede é ampla? Saber quem são os seus stakeholders é o primeiro passo para construir relações mais transparentes, estratégicas e sustentáveis.

Exemplos de stakeholders

Pessoas em reunião, vestidas com roupas sociais conversando sobre stakeholders. Há dois homens e duas mulheres. Todos são brancos.

Falar de stakeholders na teoria ajuda, mas é na prática que o conceito ganha vida. Vamos explorar diferentes contextos para mostrar como os stakeholders variam de acordo com o tipo de organização.

1. Uma startup de tecnologia

Ao lançar um novo aplicativo ou serviço digital, os stakeholders dessa startup podem incluir:

  • Colaboradores, como desenvolvedores, designers e profissionais de marketing;
  • Investidores, que aportam capital e acompanham os resultados;
  • Usuários finais, que vão utilizar a aplicação no dia a dia;
  • Empresas parceiras, que oferecem serviços complementares;
  • Plataformas digitais, como lojas de apps e gateways de pagamento;
  • Imprensa de tecnologia e influenciadores digitais, que podem ampliar a visibilidade da marca.

2. Uma fábrica de embalagens sustentáveis

No setor industrial, os stakeholders vão além dos muros da fábrica:

  • Equipa interna, desde operários até gestores de produção;
  • Fornecedores de insumos recicláveis e matéria-prima sustentável;
  • Clientes B2B, como indústrias de alimentos ou cosméticos;
  • Órgãos ambientais e fiscalizadores, que acompanham o impacto da operação;
  • ONGs e entidades locais, que monitoram a responsabilidade social da empresa;
  • Moradores da região, que podem ser afetados (positiva ou negativamente) pela atividade da fábrica.

3. Uma escola privada

A educação também envolve múltiplas partes interessadas:

  • Alunos e responsáveis, que esperam qualidade de ensino;
  • Professores e coordenadores, responsáveis pelo plano pedagógico;
  • Direção escolar e mantenedores, que fazem a gestão da instituição;
  • Secretarias de educação e órgãos reguladores, que definem as regras;
  • Prestadores de serviços terceirizados, como limpeza, segurança e transporte;
  • Comunidade local, especialmente em eventos e projetos sociais da escola.

4. Um restaurante familiar em crescimento

Mesmo um negócio pequeno pode ter um ecossistema de stakeholders relevante:

  • Funcionários, desde a cozinha até o atendimento;
  • Clientes, que esperam qualidade, preço justo e bom serviço;
  • Fornecedores de alimentos, bebidas e equipamentos;
  • Serviços de delivery, como plataformas de entrega;
  • Vizinhança, que pode ser impactada pelo movimento e pelo ruído;
  • Entidades reguladoras da saúde e segurança alimentar.

5. Uma marca de moda com loja online

Aqui, os stakeholders se ampliam para o ambiente digital:

  • Designers e equipe de e-commerce;
  • Clientes finais, que compram diretamente no site;
  • Influenciadores e creators, que promovem os produtos nas redes sociais;
  • Plataformas de pagamento e logística;
  • Fabricantes e oficinas parceiras, responsáveis pela produção;
  • Entidades do setor têxtil e associações de moda, que podem atuar em rede com a marca.

6. Uma empresa pública ou estatal

Neste caso, os interesses podem ser ainda mais complexos:

  • Cidadãos, que são os principais beneficiários dos serviços;
  • Servidores públicos, que atuam na execução das políticas;
  • Governos e políticos, que influenciam diretamente a gestão;
  • Tribunais de contas e órgãos de controle, que fiscalizam os processos;
  • Sindicatos e associações de classe, que defendem os direitos dos trabalhadores;
  • Meios de comunicação e sociedade civil, atentos à transparência.

Com estes exemplos, fica claro que os stakeholders não são apenas “quem compra” ou “quem trabalha” na empresa. São todas as partes que, de alguma forma, têm uma relação de interesse, direta ou indireta, com as suas atividades.

E quanto mais complexo for o negócio, mais diverso será esse grupo. Por isso, ignorar stakeholders ou tratá-los todos da mesma forma pode gerar ruídos, conflitos e oportunidades perdidas. Mapear bem quem são, o que esperam e como se relacionam com a empresa é um passo essencial para decisões mais estratégicas e sustentáveis.

Qual a importância dos stakeholders para as empresas?

A verdade é simples: nenhuma empresa cresce sozinha. Por trás de cada decisão, cada produto lançado e cada campanha no ar, existe uma rede de pessoas e organizações que influencia ou é influenciada por tudo isso. E é aí que entra o papel estratégico dos stakeholders.

Saber quem são os stakeholders e como cada grupo se relaciona com o negócio é fundamental para evitar decisões desconectadas da realidade. Isso não significa que todas as escolhas vão agradar a todos. 

Mas ter clareza sobre quem pode ser impactado, quais são os possíveis riscos e como gerir expectativas com transparência e empatia faz toda a diferença.

Ignorar stakeholders é como caminhar às cegas num terreno instável. O risco de tropeçar é grande. Já uma empresa que considera os diferentes interesses à sua volta tem mais condições de antecipar problemas, adaptar estratégias e criar valor de forma sólida e consistente.

Quando os stakeholders de uma empresa são levados em consideração nas decisões estratégicas, os benefícios são claros:

  • Evita-se crises antes que ganhem proporção. Um cliente insatisfeito ou uma comunidade ignorada pode gerar ruído muito mais rápido do que se imagina;
  • Fortalece-se a reputação da marca a longo prazo. Empresas que escutam e dialogam com os seus públicos tendem a ser mais respeitadas;
  • Aumenta-se o engajamento. Colaboradores motivados, parceiros alinhados e consumidores leais são reflexo direto dessa relação;
  • Facilita-se a aceitação de mudanças, como fusões, reposicionamentos ou lançamentos de novos produtos;
  • E, claro, constrói-se um diferencial competitivo sustentável, difícil de copiar.

Em um cenário em que a reputação vale tanto quanto o produto e a responsabilidade social deixou de ser opcional, considerar os stakeholders não é mais um gesto de boa vontade. É uma necessidade estratégica.

Empresas que entendem isso saem na frente. As que ainda ignoram essa realidade correm o risco de se isolar. Ou, pior, de serem cobradas publicamente por isso.

Como identificar e mapear stakeholders?

Saber quem são os stakeholders da sua organização é o primeiro passo para construir relações sólidas e decisões mais estratégicas.

 Mas identificar esses grupos nem sempre é tão óbvio quanto parece. Por isso, o mapeamento de stakeholders deve ser feito com método, escuta ativa e uma boa dose de análise.

O processo começa com uma pergunta simples: quem pode ser impactado ou ter influência sobre as atividades da empresa? 

A resposta pode envolver públicos internos e externos, diretos ou indiretos, e até aqueles que ainda não se relacionam com o negócio, mas que podem vir a se envolver futuramente.

A seguir, algumas etapas para facilitar esse mapeamento:

1. Faça uma lista ampla e aberta

Reúna as principais áreas da empresa e incentive todos a contribuírem com nomes, grupos ou entidades que tenham alguma ligação com o negócio. Neste momento, não filtre — o objetivo é lançar um olhar amplo e inclusivo.

2. Classifique os stakeholders por tipo e nível de influência

Depois de identificar os grupos, é hora de organizá-los em categorias: internos e externos, estratégicos e operacionais, de alto ou baixo poder de decisão. Esse exercício ajuda a priorizar esforços e recursos de forma mais eficiente.

3. Avalie expectativas, interesses e possíveis conflitos

Cada stakeholder tem um conjunto de expectativas e motivações. Conhecê-las é essencial para evitar surpresas, alinhar objetivos e prever reações diante de mudanças.

4. Atualize o mapeamento com frequência

As relações mudam, novos públicos surgem e outros perdem relevância. Por isso, o mapeamento de stakeholders não deve ser estático. Ele precisa ser revisto periodicamente, principalmente em momentos de expansão, lançamento de novos produtos ou reestruturações.

Um bom mapeamento permite que a empresa entenda quem são os stakeholders da companhia em cada contexto, onde concentrar energia e como manter o diálogo aberto e estratégico com os grupos mais relevantes.

Uma gestão mais conectada com quem importa

Mais do que uma lista de nomes ou uma obrigação formal, entender quem são os stakeholders é um exercício de escuta, responsabilidade e visão estratégica. São essas relações que moldam a imagem da empresa, influenciam decisões de compra, definem parcerias e até determinam o sucesso de uma inovação.

Seja qual for o setor ou o tamanho do negócio, levar a sério os stakeholders de uma empresa é agir com inteligência de mercado e consciência social ao mesmo tempo. E, num mundo cada vez mais transparente e conectado, essa postura faz toda a diferença.

Se a sua organização ainda não olha com atenção para as partes interessadas que estão à sua volta, talvez este seja o momento de repensar a forma como ela se posiciona, e de se aproximar de quem pode realmente impulsionar (ou travar) os seus resultados.


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